Tucuruí: Viúva de Jones William é acusada de ajudar a desviar dinheiro da prefeitura no dia da morte do marido

Cerca de R$ 2 milhões teriam sido sacados ou transferidos das contas da Prefeitura de Tucuruí, usando o token e a senha do prefeito assassinado Jones William da Silva Galvão. E tudo na noite do dia 25 de julho deste ano, quando o corpo de William estava no IML, e nos dias subsequentes à sua morte. A informação foi publicada ontem (22) à noite pelo portal Pará News, de Belém.

Cheque de R$ 220 mil, supostamente assinado por Jones William, endossado por Moisés Filho e sacado depois da morte do prefeito

Segundo o portal, a mulher do prefeito assassinado, Graciele Galvão [na foto, ao lado do marido], estaria envolvida nas operações irregulares usando o nome do marido morto. O ex-secretário municipal de Fazenda, Moisés Filho, também teria participado.

De acordo com a matéria, parte do dinheiro foi transferida para a conta do empresário Alexandre Siqueira. Foi Siqueira que fez a denúncia que levou ao afastamento do prefeito Artur de Jesus Brito (PV) do cargo, na semana passada.

Leia a íntegra da matéria publicada pelo Pará News e repercutida por outros blogs e portais e até pelo jornal O Liberal, na edição desta quinta-feira:

“Cofres foram saqueados no dia da morte do prefeito de Tucuruí

Revelações bombásticas estão dando novos rumos às investigações sobre o assassinato do prefeito de Tucuruí, Jones William Galvão.

Advogados do prefeito afastado de Tucuruí, Artur Brito, vão apresentar hoje no Ministério Público documentos e extratos bancários comprovando que as contas da prefeitura foram saqueadas no dia 25 de junho [na verdade, 25 de julho de 2017], dia do assassinato do prefeito Jones Wiliam, morto quando vistoriava obras em um residencial.

A reportagem teve acesso aos documentos que comprovam que na noite do crime, quando o corpo do prefeito estava no IML, o Token do gestor foi usado para transferir mais de R$ 800 mil reais das contas da prefeitura. Nos três dias de luto decretados pela morte de Jones William, os saques e transferências continuaram sendo efetuados nas contas da prefeitura no Banco do Brasil e Banpará.

De acordo com a advogada Denise Silva, na noite do assassinato do prefeito, a senha do mesmo foi usada para fazer duas transferências: uma de R$ 400 mil para a empresa F. Cardoso e mais R$ 400 mil, operação de transferência entre contas. No dia seguinte, data do velório do prefeito, a senha do prefeito morto foi usada novamente, desta vez para transferir R$ 431 mil reais para a conta de Alexandre Siqueira, não por acaso o empresário que fez a denúncia ao MP, que resultou no afastamento do prefeito Artur Brito, por suposta prática de Improbidade Administrativa.

No dia seguinte, 27 de novembro [na verdade, 27 de julho de 2017], um dia após o sepultamento do prefeito, com a cidade ainda em luto, foram descontados da agência do Banpará de Tucuruí, um cheque de R$ 69 mil no nome da então procuradora do município e outros dois cheques, cada um no valor de R$ 220 mil reais, totalizando R$ 440 mil reais. O cheque teria sido assinado pelo prefeito morto, Jones William e endossado pelo secretário municipal da fazenda, Moisés Gomes Soares Filho, cujo beneficiário seria o Ipaset, Instituto de Previdência Social de Tucuruí. No entanto, estranhamente, os valores foram depositados na conta de Odair José Marques Viana, procurador das empresas do secretário de fazenda, Moisés Filho.

O ex-secretário de fazenda de Tucuruí, Moisés Filho, é sócio de Ricardo Chegado, preso como mandante do assassinato do prefeito de Breu Branco, Diego Kolling. Ricardo foi preso pela Polícia Civil dentro da fazenda de Moisés.

Os advogados não têm dúvidas da participação da mulher do gestor assassinado, Graciele Silva Galvão, nas transferências bancárias, uma vez que a mesma já ocupou o cargo de gerente do Banpará em Tucuruí e estava emprestada para a prefeitura, ocupando o cargo de secretária de Ação Social.

Os advogados estão solicitando perícia em todo o material a ser apresentado no MP, e estão solicitando a abertura de uma minuciosa investigação para levantar o total dos desvios que ocorreram nos três dias de luto pela morte do prefeito.

“Está mais do que claro que existe uma organização criminosa por trás de tudo isso. O prefeito não poderia ter usado sua senha pessoal e ter efetuado transferências bancárias depois de morto”, afirma o advogado, ressaltando que vai pedir também a abertura de uma auditoria nas agências bancárias envolvidas. “Nenhum gerente autorizaria operações com valores tão altos e com a cidade de luto”, finalizou o advogado.

Em contato com a reportagem, o prefeito afastado Artur Brito disse que confia na Justiça e que sua inocência será provada. “Estou sendo vítima de um complô armado por uma quadrilha que se apoderou dos cofres municipais e que já desviaram mais de R$ 50 milhões do erário municipal”, concluiu Artur.” (Imagem: Reprodução.)

Fonte: Pará News

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