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‘Aposentadoria’ de dono de lanchonete causa comoção em Belém

Seu Nonato é conhecido por fazer unha de caranguejo famosa na cidade.
Ele irá se mudar de Belém, mas negócio continua com nova proprietária.

Unha de caranguejo é o carro chefe da lanchonete de Nonato. As fornadas e esgotam praticamente na mesma velocidade em que são feitas (Foto: Ingo Müller / G1 Pará)
Unha de caranguejo é o carro chefe da lanchonete de Nonato. As fornadas e esgotam praticamente na mesma velocidade em que são feitas (Foto: Ingo Müller / G1 Pará)

O empresário Raimundo Nonato Fernandes decidiu se aposentar no último dia de 2016, deixando preocupados os clientes que, por 29 anos, se debruçaram no balcão da lanchonete localizada na esquina das avenidas Almirante Barroso com a Travessa Curuzu. É lá que ele serve um salgado com recheio de caranguejo que, segundo seus fãs, está entre os melhores lanches de Belém.

A chamada unha de caranguejo é um salgado frito típico do Pará que se assemelha a uma coxinha de galinha, mas com a massa e a pata do crustáceo no lugar do recheio de frango. A iguaria faz parte da cultura regional, e costuma ser servida acompanhada de pimenta de tucupi.

Segundo Nonato, o salgado é bem fácil de fazer, mas ele não ensina sua receita de jeito algum.  Perguntado pelo G1 sobre o que há de especial em seu lanche, preferiu desconversar. “Eu passei um ano e meio trabalhando a massa de trigo. Tem muitos lugares que vendem boas unhas de caranguejo, mas ninguém descobriu nosso segredo. Eu não gostaria de contar”, disse.

Segredo é alma do negócio
O mistério em volta da unha de seu Nonato se justifica pela fidelidade da clientela: apesar de ter outras opções tradicionais, como kibes e coxinhas, a maioria dos fregueses frequenta a lanchonete pelo seu lanche mais famoso. É o caso de Silvana Araújo que, ao saber da aposentadoria de Nonato, correu para o estabelecimento para fazer um estoque de salgados. As unhas compradas serão distribuídas até para parentes que moram em Castanhal, município a 74 km de Belém. “Toda vez  que passo aqui tenho que comer uma unha. Às vezes não resisto e peço duas pelo menos”, conta a funcionária pública.

O agente epidemiológico Carlos Araújo também é cliente habitual da lanchonete. Ele também foi se despedir de Nonato em sua última semana no emprego e, obviamente, degustar seu famoso salgado. “É um prazer comer a unha de caranguejo daqui, que é deliciosa. É uma das melhores de Belém. Dá gosto prestigiar uma coisa boa, porque eu não achei em lugar nenhum uma unha igual a dele. Vai deixar saudade, mas vai ficar dentro do nosso coração”, afirma.

Nonato fica orgulhoso dos elogios. “É o trabalho de uma vida. Eu nunca trabalhei pelo dinheiro, sempre pensei em fazer uma coisa que as pessoas gostassem, e com um atendimento carinhoso, como eu gosto de ser atendido nos lugares que frequento. O esforço deu no que deu. Graças a Deus a responsabilidade no trabalho proporciona este reconhecimento. Eu sempre digo para os meus funcionários que é fácil conquistar um cliente, mas difícil mantê-lo. Esse é nosso lema. A gente trabalha pensando no consumidor e, se não consegue agradar mil, agrada pelo menos 999”, destaca.

Ele diz que irá sentir saudade da vida atrás do balcão, mas não troca seu projeto pessoal: se mudar para São Paulo, ficar mais perto dos filhos e netos e, se o mercado for favorável, abrir uma nova lanchonete no sudeste com os produtos do Pará. “Vou abrir uma loja em São Paulo para divulgar nossa cultura, mas sem pressa até porque há o período do defeso, quando não se pode pegar caranguejo”, explica.

Legado

Damiane irá continuar o trabalho de seu Nonato (Foto: Ingo Müller / G1 Pará)
Damiane irá continuar o trabalho de seu Nonato (Foto: Ingo Müller / G1 Pará)

Nas redes sociais diversos fãs do salgado de seu Nonato manifestaram preocupação com o fechamento da casa após a esposa de Nonato, dona Fátima, fazer uma postagem de agradecimento no dia 19 de dezembro explicando que a razão social da empresa seria extinta. Mas Nonato garante que o ponto irá continuar funcionando com outro proprietário. “Estou encerrando a minha razão social, mas fica a Damiane, que é uma pessoa de confiança para dar continuidade”.

“Eu tô pretendendo continuar firme e não perder a qualidade. Eu trabalho com ele há muito tempo já, então já sei todo o esquema. A tendência é continuar e, quando ele for embora, prometo continuar guardando o segredo da massa a sete chaves. Não pode entregar o ouro, senão já era. Já veio gente até da Bahia, do Rio, mas eu não ensino”, revela Damiane Santos.

Do G1 PA

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