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‘Condenar Bida é fazer justiça por todos os outros crimes’, diz Comitê

Comitê Dorothy comemora condenação de fazendeiro a 30 anos de prisão.
Defesa de Bida diz que houve erro na sentença e vai recorrer.

Vitalmiro Bastos de Moura (Bida condenado a 30 anos de prisão)
Vitalmiro Bastos de Moura (Bida condenado a 30 anos de prisão)

Representantes de movimentos sociais e trabalhadores rurais que conheciam a irmã Dorothy comemoraram a condenação do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, que foi considerado mandante do assassinato da missionária em 2005 após 15 horas de julgamento no Fórum Criminal de Belém.

Esta é a terceira condenação de Vitalmiro. Ele foi julgado pela primeira vez em 2007 e condenado a 29 anos de prisão, mas teve direito a um novo júri porque a pena ultrapassou 20 anos. Em maio de 2008, Bida foi absolvido, mas o Ministério Público recorreu da sentença. Em março de 2010, Vitalmiro foi novamente condenado, mas a defesa disse que havia sido prejudicada e o julgamento foi anulado pelo STF.

“A irmã Dorothy era na floresta aquilo que o urbano é hoje na cidade: protesto todo dia. E ela inquietava essas pessoas. E não tinha outra situação que eles não vislumbravam que não fosse dar um jeito da forma como eles disseram: vamos matar essa senhora”, afirmou o promotor de justiça Edson Cardoso.

David Stang, irmão de Dorothy, acompanhou a sessão e disse que se sente em paz. “Nós temos justiça e verdade. Eu fico feliz”, disse Stang.

Dorothy Stang foi assassinada em 2005 no Pará (Foto: Reprodução Globo News)
Dorothy Stang foi assassinada em 2005 no Pará
(Foto: Reprodução Globo News)

Para o Comitê Dorothy, a condenação significa mais que justiça. “Nós esperávamos a condenação, não só ter justiça por Dorothy, mas também para o povo de Anapu. Esses mandantes continuam representando ameaça e absolvidos eles se sentem fortalecidos naquelas terras”, afirma Luiza Virgínia Moraes, do Comitê Dorothy em Belém.

“Para nós, condenar o Bida é fazer justiça por todos os outros crimes em que os mandantes não foram condenados. Pode representar um freio na ação desses crimes agrários”, afirma Virgínia Moraes.

Defesa diz que vai recorrer da sentença

O advogado Eduardo Imbiriba disse que a defesa de Vitalmiro é dificultada por prejulgamentos (Foto: Reprodução / TJ-PA)
O advogado Eduardo Imbiriba disse que a defesa
de Vitalmiro é dificultada por prejulgamentos
(Foto: Reprodução / TJ-PA)

A defesa do fazendeiro acredita na inocencia de Vitalmiro, mesmo após três condenações. Para o advogado Martins Júnior, não existem elementos que provem o envolvimento de Bida na morte de irmã Dorothy. “Vamos entrar com apelação e vamos corrigir esse erro, entendemos que houve um erro da sentença. As provas dos autos são contundentes no sentido da inocência dele e a gente vai mostrar isso de acordo com o código do processo penal”, disse.

Entenda o caso
A missionária americana da ordem de Notre Dame Dorothy Mae Stang foi morta aos 73 anos em Anapu, sudoeste do Pará, em 12 de fevereiro de 2005. Ela trabalhava junto a comunidades de Anapu em projetos de desenvolvimento sustentável, o chamado PDS Esperança.

Segundo o Ministério Público, a morte da missionária foi encomendada pelos fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, e Regivaldo Galvão, o Taradão, que aguarda julgamento de recurso. Amair Feijoli da Cunha, o Tato, foi condenado a 18 anos de prisão como intermediário do crime.

Rayfran das Neves Sales, condenado a 27 anos de prisão por ser assassino confesso da missionária norte-americana Dorothy Stang, deixou o regime fechado para cumprir o restante da pena em prisão domiciliar em julho deste ano. Clodoaldo Carlos Batista, acusado de ser comparsa de Rayfran, foi condenado a 17 anos de prisão deixou a Casa do Albergado, localizada em Belém, em fevereiro de 2011 e está foragido.

 

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