Fim da Greve: Usuários enfrentam longas filas nos bancos

(Foto: Ricardo Amanajás /Diário do Pará)
(Foto: Ricardo Amanajás /Diário do Pará)

O primeiro dia de retorno dos bancários ao trabalho, após 26 dias de greve, foi marcado por longas filas em algumas agências de Belém. Com contas atrasadas e sem conseguir realizar saques durante o período em que as negociações trabalhistas aconteciam, muita gente aproveitou as primeiras horas da manhã de ontem para resolver as pendências mais urgentes.

Última da fila que já dobrava o quarteirão na agência da Caixa Econômica Federal da Avenida Presidente Vargas, a balconista Rosária Cardoso se preocupava com os juros do penhor que deveria ter sido pago ainda no dia 30 do mês passado. “Eu vim resolver a questão do pagamento de um penhor. Era para ter sido pago no dia 30 e eu espero que eu consiga resolver ainda hoje”, preocupava-se, ao lembrar que ainda tinha que ir trabalhar após a ida ao banco. “O certo seria abater esses juros porque eu não tive culpa da greve. Eles demoram para resolver os problemas deles e a gente é que sai prejudicado porque corre até o risco de perder as joias”.

Já na frente do banco ainda antes das 10h, quando inicia o atendimento bancário, a aposentada Eulinda Rodrigues, de 67 anos, se perguntava que horas conseguiria se liberar. Sem conseguir receber o pagamento da pensão durante todo o período da greve, as necessidades eram cada vez mais urgentes. “Estou desde o dia 6 esperando para receber o meu cartão e não consegui. A gente fica sem receber por conta disso, mas a gente tem que comer pagar as contas. Então, quando eu fiquei sabendo que tinha voltado, eu vim logo”, justificava. “Está tudo atrasado, tudo com juros já e quando a gente chega aqui ainda tem que enfrentar essa fila. Que horas eu vou sair daqui hoje?”.

Na tentativa de sanar as dívidas que se acumulavam desde que a categoria entrou em greve, a dona de casa Maria Santos ainda tentou sacar o dinheiro necessário no dia anterior. Sem sucesso, porém, ela comemorou a notícia de que a partir de ontem tudo já estaria normalizado. “Estive ontem [segunda-feira] e não consegui resolver, então retornei hoje porque fiquei sabendo que a greve acabou. Desde que entrou em greve, eu estou sem conseguir sacar dinheiro porque o meu caso não pode ser resolvido no caixa eletrônico”, explicou. “É muito complicado a gente ver as contas chegando e não poder pagar. Vou ter que sair daqui hoje com isso resolvido, vou ter que esperar essa fila, não tem jeito”.

Além da Caixa Econômica, funcionários do Banco do Brasil e de bancos particulares também aceitaram a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) durante a assembleia geral que definiu a retomada das atividadxes por cerca de quatro mil bancários. Um dos particulares que fechou acordo com os funcionários, o Banco Itaú também amanheceu com algumas de suas agências lotadas.

Sem que a fila que se formava do lado de fora da agência do Itaú da avenida Almirante Barroso com a travessa Mauriti surpreendesse, a universitária Daniele Lisboa comemorava o fim da greve. “Foi muita dor de cabeça! Nós ficamos muito prejudicados porque a greve não acabava mais. A gente tentava pagar as contas e não conseguia”, reclamava. “Eu ligava para o banco e eles diziam apenas que não poderiam fazer nada. Ainda bem que acabou. Agora o que vou exigir é que não cobrem juros porque eu não fui a culpada de os pagamentos terem atrasado”.

(Diário do Pará)

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