Joãozinho Pé de Cobra: Quem é o homem apontado como chefe da quadrilha de tráfico internacional

João Soares da Rocha ou Joãozinho Pé de Cobra, o homem preso pela Polícia Federal (PF) em Tucumã (PA), nesta quinta-feira (21, é dono de fazendas, aviões, postos de combustíveis e até um hangar. Ele foi detido durante a operação Flak, que agiu contra o tráfico internacional de drogas e está preso em Palmas.

Ao todo, agentes cumpriram 55 mandados de prisão contra envolvidos no esquema. Até às 10h de hoje, o balanço da PF apontava que 28 pessoas já tinham sido presas. Destas, 24 passaram por audiência de custódia, 23 seguem presas e uma foi liberada. Dos presos, 12 estão na Casa de Prisão Provisória de Palmas e 11 estão presos em outros Estados e 4 presos devem ser ouvidos hoje. Das 47 aeronaves com mandado de apreensão, 24 foram encontradas pela PF.

Joãozinho Pé de Cobra, acusado pela Polícia Federal de ser o chefe da quadrilha de tráfico internacional de drogas, foi pioneiro no mercado de extração de madeira no Pará. Há informações de que João Soares Rocha atuava, inclusive, em terras indígenas no Estado.

Rota da droga traficada pela quadrilha (Infográfico: G1/21-2-2019)

O advogado dele disse que o cliente exerce atividade lícita e tem residência fixa. Afirmou ainda que aguarda para ter conhecimento dos autos e se manifestar a respeito. Rocha prestou depoimento de Rocha na sede da Polícia Federal de Palmas e depois foi levado para a Casa de Prisão Provisória da capital.

Segundo a PF, Joãozinho Pé de Cobra tinha negócios em Goiás e no Pará, onde atuou como empresário nas cidades de Tucumã, onde foi preso, São Félix do Xingu e Ourilândia do Norte e também era articulador do processo de revenda da madeira para outros centros no país. Os negócios dele também envolviam criação de gado.

A Polícia federal informou que o grupo chefiado por ele utilizava pistas de pouso em Palmas e Porto Nacional, no Tocantins, como ponto de apoio para movimentar as drogas.

O suposto chefe da quadrilha é tio do piloto Felipe Rocha Reis, que morreu em Goiânia após uma queda de avião no Pará. O pai de Felipe, Evandro Geraldo Rocha dos Reis também morreu no acidente. O caso teve grande repercussão. Os dois também foram citados pela PF como membros da quadrilha

Ainda segundo as investigações, o esquema teria ligações com traficantes como Fernandinho Beira-Mar e também Leonardo Dias Mendonça, que estava preso em Aparecida de Goiânia, mas ganhou progressão para o regime semiaberto.

Aviões de Joãozinho Pé de Cobra eram adulterados

As aeronaves utilizadas pela quadrilha eram de pequeno porte, mas foram adulteradas para poder reabastecer enquanto voavam e assim ter maior autonomia de voo. As alterações feitas na estrutura dos aviões podem ter causado pelo menos um acidente, segundo a Polícia.

O caso foi em março de 2017, no espaço aéreo da Venezuela. O avião ficou sem combustível e caiu no mar do Caribe cerca de 20 minutos antes de chegar ao destino.

Alguns dos aviões utilizados pelo grupo podem fazer voos de longo alcance, inclusive em rotas intercontinentais, mesmo sem nenhuma alteração. Segundo a PF, em dois anos a quadrilha de Joãozinho Pé de Cobra transportou cerca de 9 toneladas de cocaína.

Joãozinho Pé de Cobra e comparsas agiam há 20 anos, diz PF

A Polícia Federal acredita que a quadrilha de Joãozinho Pé de Cobra atua há pelo menos 20 anos. Os primeiros indícios de atividade são de novembro de 1999. Naquele ano, João Soares Rocha teria fechado uma parceria com Leonardo Dias de Mendonça para administrar a Fazenda Paranaíba, no Pará.

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Três anos depois, a propriedade rural foi sequestrada pela Justiça. A acusação era de que Mendonça, então considerado um dos maiores traficantes do país, utilizava pistas de pouso clandestinas na região para o transporte das drogas. Uma das pistas seria na fazenda. O caso foi durante a operação Diamante, também da PF.

A esposa de João Soares Rocha conseguiu reaver a fazenda na Justiça em 2006 e o imóvel é utilizado pela família até hoje. Na época ela alegou ser a real proprietária da terra e desconhecer as atividades ilícitas.

Para a PF, a negociação entre Rocha e Mendonça em 1999 é um indício de que o grupo desarticulado nesta quinta já atuava no narcotráfico desde então.

Joãozinho Pé de Cobra tinha preocupação com escutas

Nas conversas telefônicas o chefe do grupo revela preocupação com a possibilidade de estar sendo monitorado. Nas conversas, todos utilizam codinomes e se referem às aeronaves como ‘retro’ ou ‘retroescavadeira’.

Em setembro de 2017, ele recebeu de Raimundo Prado Silva, um brasileiro que mora no Suriname, a proposta de comprar um celular criptografado na Europa. O valor combinado foi de € 1,8 mil. O equivalente a aproximadamente R$ 16 mil pelo câmbio atual.

(Fonte: G1 Tocantins. Imagens: Reprodução/G1.)

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