Juíza Substituta da 2ª Vara de Xinguara pede exoneração do cargo, mas volta atrás e pede licença médica

Magistrada Ana Carolina Barbosa Pereira

A magistrada Ana Carolina Barbosa Pereira, responsável pela 2ª vara do Fórum da comarca de Xinguara, publicou na quarta-feira 03 de outubro, uma carta aberta, onde ela fez diversas acusações gravíssima contra autoridades como, Promotor de Justiça, Advogado, Delegado de Polícia Civil, portanto em suas acusações a jovem Juíza que foi empossada na magistratura em julho de 2016, não citou nomes enquanto acusava. Em forma de desabafo a magistrada falou em sua carta sobre o descaso por parte da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Pará, para com os magistrados do interior do estado. Em um momento na carta a Juíza Substituta Ana Carolina pede sua exoneração do cargo.

Trechos da Carta:

Na carta com o título “Não nasci pra ser juiz. Não no Pará. Não dessa forma”. A magistrada fala, “Não nasci pra ver advogado ameaçar juiz e este receber como conselho da Corregedoria de seu Tribunal a declaração de suspeição. Não nasci pra ver Promotor faltar a mais de 30 audiências no mês e absolutamente nada lhe acontecer. Mas se um magistrado falta um único dia para “emendar” um feriado, é representado e punido por sua Corregedoria.

Não nasci pra ver esse mesmo Promotor agir como um louco em audiência, mandando testemunha se calar, rindo da ignorância das pessoas que atuam no processo – a maioria que nem sabe ler ou escrever. –, agindo com extrema misoginia e representando o juiz quando, simplesmente, este não acoberta as suas falcatruas (e não são poucas).

Não nasci pra me ver em lista de alvos da polícia e tal fato ser menosprezado por magistrado que se diz responsável pela segurança de seus colegas. Até hoje espero o tal “setor de inteligência” entrar em contato por uma suposta ameaça sofrida há mais de seis meses. Durmo a base de remédios ansiolíticos e antidepressivos e, exclusivamente, com a proteção de Deus.

Não nasci para ver e gravar inúmeros réus confirmando o recebimento de propina pela Delegacia, acobertada por suposta fiança em valor assustadoramente inferior, e absolutamente nenhuma providência ser adotada. Nem pela Corregedoria da Polícia, nem pelo Ministério Público, nem pelo Tribunal de Justiça.

Por todas essas razões, com uma dor enorme no peito por desistir do meu maior sonho, FORMALIZO AQUI MEU PEDIDO DE EXONERAÇÃO, na esperança de que leiam essa manifestação e passem a se preocupar mais com as pessoas e com os processos, do que com os índices, metas e pesquisas.

Como estou de atestado médico na data de hoje, 03.10, que seria meu retorno das férias, informo que a partir de 04.10 não farei mais parte dos quadros de magistrados do TJEPA. Registro que minha última atuação se deu nos dias 01 e 02.10, quando coordenei o primeiro curso preparatório para a adoção em Xinguara, mesmo ainda estando no gozo de férias.

Ana Carolina Barbosa Pereira

Xinguara, 03.10.2018.

Instantes depois, através de requerimento, a magistrada volta atrás e pede o arquivamento do seu pedido de exoneração.

Veja que diz no Requerimento nº PA-REQ2018/16874:

Diante todas essas acusações a OAB Subseção Xinguara, se manifestou através do seu presidente Cícero Sales, que, expediu um pronunciamento atreves de nota enviada a nossa redação.

OAB Subseção Xinguara

Considerando a confirmação da Drª Ana Carolina de que o conteúdo narrado na carta que circulou em redes sociais foi de autoria dela.

Considerando a gravidade das denúncias contidas na carta:

1) A OAB Xinguara irá oficiar o CNJ para que forneça o conteúdo das provas contidas no PAD contra o Juiz José Admilson para que seja averiguado quais advogados restou provado que cometeu conduta contrária ao código de ética da OAB.

2) A OAB irá cobrar do Procurador Geral de Justiça que abra procedimento criminal e administrativo para apurar as denúncias contidas na carta, de conduta criminosa tanto de representante do MP, TJ e PC.

3) E quanto a denúncia de ameaça sofrida pela magistrada narrada na carta, a OAB irá oficia-la para que indique qual advogado promoveu-lhe referidas ameaças e em quais circunstância para que se possa adotar providências cabíveis.

Cícero Sales – Presidente da OAB Xingara

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