Lei Seca completa 10 anos, mas embriaguez ao volante ainda mata pessoas no Pará

Dados são da Associação Brasileira de Medicina do Trabalho (Abramet). Nos cinco primeiros meses de 2018, dos 2.438 pacientes que deram entrada no Hospital Regional em Marabá, 19% se envolveram em acidentes de trânsito, segundo a Sespa.

A Lei Federal nº 11.705, mais conhecida como Lei Seca, completou 10 anos nesta semana. Em uma década, mesmo com mais rigor na fiscalização de motoristas que dirigem embriagados, o problema continua sendo uma das principais causas de morte no trânsito no país, segundo a Associação Brasileira de Medicina do Trabalho (Abramet). Nos cinco primeiros meses de 2018, dos 2.438 pacientes que deram entrada no Hospital Regional em Marabá, 19% se envolveram em acidentes de trânsito, segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

Esse hospital recebe a maioria das vítimas em estado grave de acidentes ocorridos no sudeste paraense. Somando aos atendimentos realizados por outras três unidades públicas do Pará, já passam de 2,2 mil vítimas de acidentes atendidas somente de janeiro a maio deste ano, informou a Sespa.

Desse total, 1.596 foram admitidos no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua, região metropolitana de Belém, 472 pelo Hospital Regional do Sudeste, 148 deram entrada no Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, e 81 receberam atendimento no Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém.

Lição de vida

A recuperação não é fácil para quem sobrevive à experiência de um acidente. O carpinteiro Francisco de Sousa da Silva, de 35 anos, está internado há mais de uma semana no Hospital Regional do Sudeste do Pará Dr. Geraldo Veloso (HRSP), em Marabá. “Só lembro de ter parado para beber com uns amigos e acordar, dois dias depois, no hospital. Agora que vi que poderia ter morrido, entendo que álcool não combina com direção”, disse o paciente.

Geraldo Pinheiro, de 60 anos, também se recupera de um acidente de trânsito. Embora a causa do trauma não tenha sido a ingestão de bebida alcoólica, há 15 anos ele viveu experiência semelhante à do colega de enfermaria. “Levei três pontos na testa e um mês para me recuperar. Depois, diminui a bebida, e quando sei que vou dirigir, não coloco nenhuma gota na boca. Aprendi a lição”, disse Geraldo Pinheiro.

G1/PA

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