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MST ameaçam interditar a Estrada de Ferro Carajás

Mobilização integra ações da 2ª Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou ontem (3) diversas manifestações em todo o País dentro da programação da 2ª Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária. Em Parauapebas, eles fizeram uma marcha do Assentamento Palmares II para o Palmares I, reunindo cerca de 1,5 mil pessoas, de acordo com a coordenação local.

Os superficiários montaram acampamento entre os dois assentamentos às margens da Estrada de Ferro Carajás, da mineradora Vale, que ameaçam interditar a qualquer momento. Segundo o MST, a mobilização é por tempo indeterminado e só vai encerrar quando o governo “se posicionar em favor dos camponeses”.

O movimento cobra agilidade no processo de reforma agrária. Em Brasília, os trabalhadores sem terra ocuparam o Ministério da Fazenda contra o ajuste fiscal do governo no orçamento da reforma agrária. Eles pedem urgência no assentamento de milhares de famílias e a saída do ministro da fazenda, Joaquim Levy.

Segundo Pablo Santiago, militante do MST que está à frente da organização das famílias na manifestação, essa segunda jornada de luta pela reforma agrária é contra a política econômica do governo federal. “Nós não aceitamos o corte no orçamento da reforma agrária. Eles [governo] cortaram 50% do recurso destinado à reforma agrária, enquanto para o agronegócio não houve qualquer corte”, protesta.

De acordo com Pablo, o saldo devedor dessa política econômica com a reforma agrária é muito grande. “Isso é inadmissível. Eles não estão honrando com os compromissos firmados com a reforma agrária. Nossa intenção é mudar essa situação. Mudar o jogo”, avisou.

Tesourada

O Movimento volta a denunciar a paralisação da Reforma Agrária no País, destacando que a redução no orçamento, de R$ 3,5 bilhões para apenas R$ 1,8 bilhão, significa a estagnação quase geral do processo. Pablo destaca que agora o movimento também conta com o apoio da população que de um modo geral está descontente com o governo. “A nossa luta também é por democracia e, por isso, contamos com o apoio dessa massa que já foi às ruas pedindo um basta à corrupção e a política do governo”, frisou.

Ele ressaltou também que o movimento ia fechar a Estrada de Ferro Carajás por considerar que a Vale é a grande aliada do governo federal. “Ela [Vale] recebe recurso do governo para financiar seus empreendimentos. Isso para nós é uma afronta, porque os camponeses, que alimentam esse País recebem migalhas”, atacou, ameaçando bloquear a ferrovia por tempo indeterminado.

Segundo Pablo, fazem parte do movimento integrantes do MST de 12 localidades da região.  Eles dizem que vão bloquear, além da ferrovia, a passagem de ônibus de empresas que prestam serviço para a Vale.

Nota

Em uma nota enviada à imprensa, o MST detalha as reivindicações que fazem parte da pauta da 2ª Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária. Entre as reivindicações estão o assentamento imediato de todas as famílias acampadas, cumprindo como Plano de Meta de assentar pelo menos 50 mil famílias entre 2016/2018; e desburocratização imediata do acesso a créditos para os agricultores.

Eles pedem ainda a universalização de programas de desenvolvimento a todos os assentamentos através de suas organizações; e o fortalecimento do programa nacional de Educação da Reforma Agrária, assim como a construção imediata de 300 novas escolas, 100 centros de educação infantil e a garantia de 30 Institutos Federais dentro das áreas dos Projetos de Assentamento (PAs).

O movimento quer que o governo implemente a Reforma Agrária com o objetivo de eliminar a pobreza no meio rural; combater as desigualdades sociais e a degradação da natureza; e garantir melhores condições de vida para todas as pessoas e oportunidade de trabalho, renda, educação, cultura e lazer, estimulando a permanência no meio rural, em especial da juventude.

Síntese: O Movimento volta a denunciar a paralisação da Reforma Agrária no País, destacando que a redução no orçamento, de R$ 3,5 bilhões para apenas R$ 1,8 bilhão, significa a estagnação quase geral do processo. (Fonte: Chocopeba)

C T (Tina Santos informações Ronaldo Modesto)

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