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Pará: Ponte da Alça Viária ficará seis meses interditada após acidente com balsa

Ponte da Alça Viária ficará seis meses interditada após acidente com balsa

Duas balsas serão disponibilizadas pelo Governo para fazer a travessia.
Parte da ponte desabou após colisão com balsa, na noite de domingo, 23.

Ponte partiu após choque de balsa com pilar de sustentação (Foto: Antônio Silva/ Agência Pará)
Ponte partiu após choque de balsa com pilar de sustentação (Foto: Antônio Silva/ Agência Pará)

A ponte da Alça Viária sobre o Rio Moju, no Pará, ficará interditada por seis meses. A via ficou muito danificada após uma balsa, que prestava serviço para a Agropalma e transportava 900 toneladas de dendê, ter colidido contra a estrutura da ponte na noite de domingo (23). Com o incidente, foi rompida parte da estrutura, que possui cerca de 900 metros de extensão e 23 vãos. Especialistas analisam se o incidente atingiu apenas o pilar que desabou ou se toda a estrutura da quarta ponte da Alça Viária, com cerca de 800 metros, foi afetada. Durante o período de interdição, duas balsas, disponibilizadas pelo Governo do Estado, farão a travessia dos veículos.

Serão necessários 6 meses para a recuperação da via. (Foto: Clésio Santos/Arquivo pessoal)
Serão necessários 6 meses para a recuperação
da via. (Foto: Clésio Santos/Arquivo pessoal)

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (24), durante coletiva à imprensa realizada na sede da Secretaria de Estado de Transportes (Setran), em Belém. De acordo com a Setran, a expectativa inicial era de que a interdição da via durasse no máximo 120 dias. No entanto, ao visitar o local, especialistas alertaram para a gravidade do dano. Uma equipe técnica de engenharia que está no local deve entregar um laudo em 48h. Os documentos que irão compor o processo de licitação para as obras de reparo emergencial da ponte devem começar a ser reunidos ainda na terça-feira (25), e o orçamento deve ser divulghado após o resultado do laudo.

A hipótese de usar a PA-252 como via alternativa à Alça Viária foi descartada devido à má condição da rodovia, que tem pavimentação parcial e costuma alagar durante o período de chuva.

Balsa que colidiu com a ponte transportava 900 toneladas de óleo de palma (Foto: Antonio Silva/ Agência Pará)
Balsa que colidiu com a ponte transportava 900 toneladas de óleo de palma (Foto: Antonio Silva/ Agência Pará)

Diante disso, o Governo do Estado anunciou que a travessia sobre o Rio Moju será feita de graça em duas balsas para atender o fluxo de veículos leves e pesados da PA-150, que liga as regiões nordeste e sudeste do Pará.  A travessia do rio, que tem uma extensão de 500 metros, será feita 24h, diariamente. O custo do serviço de transporte não foi divulgado, e a contratação das balsas se fez sem licitação, devido o caráter de emergência. A medida envolve ainda obras de reparo nas rampas de embarque nas margens do rio, que se encontram deterioradas.

Inquérito
Um inquérito policial foi aberto para apurar as responsabilidades sobre o incidente. A balsa sofreu danos com a batida, mas não ficou impossibilitada de realizar a travessia e deve chegar ainda nesta segunda a Belém, onde passará por perícia. Dependendo do que os laudos revelarem, a transportadora terceirizada e a Agropalma podem ser chamadas a arcar com parte dos gastos das obras.

Por telefone, o diretor comercial de sustentabilidade da Agropalma, Murilo Brito, informou que a balsa estava prestando serviço à empresa e pertence à Companhia de Navegação da Amazônia, do grupo Libra. Por isso, não tem responsabilidade sobre a embarcação.

Balsa teria usado canal errado
Segundo a Setran, a embarcação tinha 60 metros de comprimento e 12 metros de largura, e transportava, além da carga de dendê, uma tripulação de segurança, formada por 4 ou 5 pessoas. De acordo com a Capitania dos Portos, a documentação da embarcação e do condutor estavam em dia, e o piloto é considerado habilitado para a função.

Aproximadamente 50 metros de ponte desabaram após colisão. (Foto: Clésio Santos/Arquivo pessoal)
Aproximadamente 50 metros de ponte desabaram após colisão. (Foto: Clésio Santos/Arquivo pessoal)

Preliminarmente, de acordo com o secretário da Setran, Eduardo Carneiro, foi descartava a hipótese de que o incidente tenha ocorrido devido à má sinalização na via, já que o canal de navegabilidade, tem 80 metros de largura, e a batida teria ocorrido fora deste canal, em um vão secundário, com cerca de 40 metros de largura, na margem esquerda, sentido Moju/ Belém.

“Ele tentou atravessar um canal menor, e não o canal de navegabilidade. A ponte é toda iluminada, tanto em cima quanto embaixo, e possui faixas refletivas nos pilares. As pontes possuem todo o equipamento exigido pela Marinha, exceto as defensas metálicas, que só não estão no local porque entre 60 a 90 dias houve um outro acidente que as atingiu”, declarou Carneiro. A defesa é um tipo de grade flutuante, posicionada em volta dos pilares, que evita que eles sejam atingidos.

Segundo a Capitania dos Portos, o incidente pode ter sido provocado por imprudência, negligência ou falha de equipamentos. “A velocidade pode ter influenciado na força do impacto, mas só o laudo poderá esclarecer”, informou o capitão de corveta Vieira Santos, da Capitania dos Portos.

O condutor da embarcação e tripulantes devem chegar à capital por volta de 22h para prestar depoimento. De acordo com a Setran, o inquérito policial e o laudo ficarão prontos em 30 dias, podendo ser prorrogado por mais 30, enquanto que o laudo da Marinha deve ser entregue em 90 dias. (G1 Pará).

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