Xinguara, comunidade continua a pôr em xeque a credibilidade do secretário de Educação

Com Vilmones à frente da Educação, Xinguara não alcança mínimo no IDEB. Secretário é acusado de “perseguir” professores

O homem sorridente que aparece na foto acima é Vilmones da Silva e ele tem diversos motivos para estar satisfeito. Aos 42 anos, ocupa por quase seis anos o cargo de secretário de Educação de Xinguara, é considerado um dos “intocáveis” homens de confiança do atual prefeito, Osvaldo Assunção, ultimamente vem sendo cotado para ser o candidato à sucessão de “Osvaldinho” e é próximo ao senador Zequinha Marinho, cacique do PSC. Mas, nem tudo são sorrisos na vida de Vilmones.

Desde março de 2018, Vilmones é alvo de um Inquérito Civil (IC 001032-096/2018), patrocinado pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). O MP anda desconfiado que irregularidades tenham sido cometidas por Vilmones quando contratou serviços de assessoria contábil e consultoria jurídica, sem licitação. Em 6 de março deste ano, o MP decidiu prorrogar por mais doze meses as investigações. No dia 17 de abril, finalmente Vilmones respondeu aos questionamentos do MP. Agora, caberá ao promotor de Justiça de Xinguara decidir se transforma o Inquérito em Ação Civil Pública.

Caso seja instaurada a ação por improbidade administrativa, Vilmones se tornará réu e, se condenado, terá que ressarcir os valores utilizados de forma fraudulenta, perderá o cargo e terá seus direitos políticos suspensos, ficando inelegível, entre outras sanções previstas em lei.

Esta não seria a primeira vez que decisões administrativas de Vilmones são consideradas irregulares pelos órgãos de controle de contas públicas. Em 2015, o secretário de Educação de Xinguara foi pego pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Ao analisar as prestações de contas de Vilmones, os técnicos do TCM sentiram falta de alguns processos de licitações. O TCM resolveu pegar leve com o secretário, um neófito naquela época. As contas acabaram aprovadas com ressalvas e Vilmones foi obrigado a pagar apenas multa.

Por outro lado, Vilmones vem sendo bombardeado por seus próprios colaboradores. Os professores colecionam histórias de assédio moral que envolvem diretamente Vilmones e desfazem a imagem de bonachão que o secretário de Educação tenta cultivar.

O Expresso 279 teve acesso a relatos daquilo que os professores chamam de “perseguição”. Professores que participaram de um movimento grevista em 2014, foram transferidos para escolas distantes de onde atuavam, alguns deles passaram por três ou mais escolas em menos de um ano. Outros, tiveram sua carga horária reduzida e assim, por via indireta, acabaram com seus salários cortados à metade.

Estranhamente, enquanto as redes sociais e os grupos de troca de mensagens instantâneas divulgam alegadas ações discutíveis por parte de Vilmones, o sindicato da categoria parece não ter muito interesse em apurar a veracidade das acusações. Procurada pela reportagem do Expresso 279, a direção do Sintepp, em um primeiro momento, disse que responderia às perguntas, depois não retornou mais os contatos feitos por nossa equipe.

Enquanto vive às voltas com articulações para viabilizar sua candidatura a prefeito, as investigações do MP e acusações de professores, Vilmones parece não estar tendo muito tempo para se dedicar à educação de Xinguara. Os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), não são nada animadores. Fazendo uma série histórica, em 2009, antes da “era Vilmones”, a meta estabelecida para a educação básica em Xinguara era de 3,2. Naquele ano, sem maiores dificuldades, o município alcançou média 3,6.

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A trajetória de crescimento se manteve em 2011 – meta de 3,6; IDEB alcançado 4,1 – e em 2013 – meta de 3,9; IDEB alcançado 4,2.

Em 2015, um empate. Xinguara conseguiu, no limite, igualar a meta estabelecida em 4,2.

Já em 2017, Xinguara, não conseguiu alcançar a meta fixada em 4,5. Ficou em 4,4.

Para o ano de 2019 a meta estabelecida do IDEB é de 4,8. Não parece haver muita esperança que a educação dirigida por Vilmones, alcance a meta.

Quando são isolados os resultados apenas dos 8º e 9º anos, que encerram a educação básica, a situação é bem pior. Em 2013, a meta era 4; Xinguara conseguiu 3,2. Em 2015, meta estabelecida em 4,3; IDEB alcançado 3,4. Por fim, em 2017, a meta estabelecida para o IDEB do município para alunos dos 8º e 9º anos era de 4,6. Para decepção geral, Xinguara conseguiu apenas 3,6. Em 2019, o município precisa alcançar pelo menos 4,6. Mas, ninguém é capaz de apostar que Vilmones conseguirá essa proeza.

A precariedade da educação de Xinguara – mostrada pelos números do IDEB – particularmente nos anos finais da educação básica, preocupa porque as deficiências dos alunos impactarão diretamente nos resultados que obterão no ensino médio. Com formação capenga, é previsível um alto índice de reprovações e, o que é mais grave, uma grande evasão escolar. Antes de mostrar-se sorridente e ufanista, Vilmones deveria refletir se está realmente fazendo o melhor possível para garantir educação de qualidade aos alunos e professores de Xinguara. Vilmones, que é professor de matemática, precisa fazer as contas e descobri se ainda há tempo para corrigir os rumos ou se é melhor mesmo desistir do sonho de ser prefeito.

Fonte: Expresso 279

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